TeSE reúne novos membros para apresentar ciclo 2015

​Oficina introdutória relembrou o trabalho desenvolvido pela iniciativaTendências em Serviços Ecossistêmicos em seus ciclos anteriores e apresentou a proposta de trabalho para este ano 03/03/2015
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Renato Armelin faz a abertura do Ciclo 2015 da TeSE

Por Bruno Toledo (GVces)

Não há mais espaço para ignorar dependências e externalidades quando falamos sobre empresas e meio ambiente. Aqueles que não se conscientizam sobre essa relação se tornam extremamente vulneráveis em aspectos e em momentos críticos. Um exemplo atual notável é a crise hídrica pela qual o Sudeste brasileiro atravessa nos últimos meses: da mesma forma que os governos na região, boa parte das empresas da região não estavam preparadas para lidar com este cenário de escassez hídrica inédito. A constatação é clara: precisamos olhar para o capital natural.

Criada há dois anos pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces), a iniciativa empresarial Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE) propõe auxiliar as empresas nesse esforço de entender e dimensionar o capital natural na economia e na sociedade, desenvolvendo estratégias e ferramentas para a gestão empresarial de impactos, dependências, riscos e oportunidades relacionadas aos serviços ecossistêmicos.

Dando continuidade a esse trabalho e o pontapé inicial das atividades do ciclo 2015, a TeSE promoveu uma oficina introdutória para novos membros no último dia 24 de fevereiro, na Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Além de olhar para o que já foi desenvolvido dentro da iniciativa, os novos membros e a equipe do GVces discutiram o caminho e os objetivos das atividades para esse ano.

“Nosso objetivo específico é avançar na construção de um sistema de mensuração, relato e verificação (MRV) de serviços ecossistêmicos”, explica Renato Armelin, do GVces e da TeSE. “A partir desse sistema de MRV, queremos que as empresas sejam capazes de definir esses serviços ecossistêmicos em sua dimensão física (variação do serviço pela sua unidade natural) e monetária (resultado da valoração econômica)”.

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Renato Armelin apresenta agenda de trabalho da TeSE em 2015 para novos membros

 

Em seu primeiro ciclo (2013), as empresas membro da TeSE e a equipe do GVces construíram a primeira versão das Diretrizes Empresariais para Valoração Econômica de Serviços Ecossistêmicos (DEVESE). No ano passado, a TeSE ampliou sua agenda de atuação, aperfeiçoando o DEVESE – que passou a contar com diretrizes para valoração econômica de oito serviços ecossistêmicos (quantidade de água, qualidade da água, assimilação de efluentes, biomassa combustível, clima global, recreação e turismo, regulação da erosão do solo, e regulação de polinização) a partir de três aspectos (dependência, impacto e externalidade) – e avançando na formulação das Diretrizes Empresariais para Relato de Externalidades Ambientais (DEREA), que visa apoiar as empresas na comunicação de seus esforços em serviços ecossistêmicos. Esse esforço terá continuidade em 2015, novamente em parceria com o projeto “TEEB Regional-Local: Conservação da Biodiversidade através da Integração de Serviços Ecossistêmicos em Políticas Públicas e na Atuação Empresarial” – uma iniciativa do governo federal com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) no contexto da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável.

Outra frente de trabalho em 2014 foi o desenvolvimento dos projetos piloto, em que algumas das empresas membro da iniciativa testaram a aplicabilidade da primeira versão da DEVESE. Esses projetos se tornaram estudos de caso que serão apresentados na publicação do ciclo 2014 da TeSE, que será lançada em evento especial no mês de maio.

Na agenda de trabalho para 2015, a TeSE propõe olhar para outros serviços ecossistêmicos, como serviços ecossistêmicos culturais e de provisão. Para tanto, a TeSE promoverá uma oficina especial sobre serviços ecossistêmicos culturais no mês de abril, além de dois encontros de grupos de trabalho (junho e setembro) para avançar na construção de procedimentos metodológicos e diretrizes para valoração não econômica desses serviços. Também será realizado um encontro de grupo de trabalho para analisar métodos de valoração de novos serviços de provisão (maio), além de sessões de capacitação para membros nos métodos da DEVESE (versão 2.0) e no desenvolvimento de projetos piloto.

Fotos: Felipe Frezza (GVces)

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